“Felizes os que temem o Senhor, os que andam em seus caminhos. Poderás viver, então, do trabalho de tuas mãos, serás feliz e terás bem-estar.
Tua mulher será em teu lar como uma vinha fecunda. Teus filhos em torno à tua mesa serão como brotos de oliveira.
Assim será abençoado aquele que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor para que em todos os dias de tua vida gozes da prosperidade de Jerusalém, e para que possas ver os filhos dos teus filhos. Reine a paz em Israel!” Sl 127 (128).
Andar nos caminhos do senhor é permanecer na trilha. Todo monte possui uma trilha, é um caminho que foi feito e refeito pelos pés de quem muito passou por ali. Jesus abriu essa trilha para nós porque Ele é o “caminho”, e foi seguindo os seus passos que muitos conseguiram chegar até o cume do monte. Quantos foram aqueles que pondo os olhos no Mestre, seguindo seus passos, acabaram abrindo novas trilhas. São os santos e santas, testemunhas de que é possível subir, viver a santidade neste mundo. Podemos segui-los porque através de seus exemplos vamos até Jesus.
A santidade faz parte da vida de quem quer subir. Na verdade, nossa vocação é a santidade. Deus nos chamou para a santidade. (Cf. 1 Ts 4,7). O Papa Francisco disse certa vez, que a santidade é um caminho que só pode ser percorrido sustentado por quatro elementos imprescindíveis: coragem, esperança, graça e conversão.
Se queremos chegar, a coragem deve nos acompanhar. É uma força interior, um exercício dos sentidos espirituais que desenvolvemos para não desistir. Coragem para começar. E só adquire essa coragem quem se converte. Conversão é encontro, desses encontros que mudam a vida de uma pessoa. O encontro com Jesus faz isso, muda completamente a nossa vida, dá outra direção. Uma nova amizade nasce desse encontro, Jesus passa a ser o nosso grande Amigo. E Ele fica repetindo o tempo todo ao longo do caminho, “no mundo tereis aflições, coragem, eu venci o mundo!”.
É preciso dar um passo de cada vez sempre com os olhos para o alto, com essa melodia nos lábios, “buscai as coisas do alto” (Cl 3,1). Ao longo do percurso vamos precisar de coragem para não desistir. São muitos os obstáculos que surgem como por exemplo, tribulações e perseguições, preocupações e ilusões (Cf. Mt 13,18) e somente os “fortes” vão conseguir vencer esses obstáculos. Essa força vem da esperança “que não decepciona” (Cf. Rm 5,5) e nos faz crer em um “novo céu e uma nova terra” (Cf. Ap 21).
Não podemos deixar de dizer que a santidade não se alcança apenas pelo esforço, é dom, é graça. Quanto mais nos tornamos amigos de Jesus, mais Ele nos concede sua graça. Paulo deseja isso aos seus amigos, “que a graça do Senhor Jesus esteja com vocês” (2 Cor 13,13). A graça nos abraça quando nos aproximamos cada vez mais de Jesus, o seguimos pelo caminho e ouvimos sua voz. Foi isso que fizeram os santos, eles se tornaram amigos de Jesus e isso transformou suas vidas.
Um exemplo para ilustrar o que estou dizendo é o do jovem Francisco. Ele era um jovem com muitas ambições, entre elas a de ser um cavaleiro. Isso era um ideal do seu tempo. Com seus amigos, ele se dedicava a festas, sendo chamado muitas vezes de “Rei dos Banquetes”. Entre fracassos e desilusões, outro ideal passou a ocupar sua vida, graças ao encontro com Jesus. Abraçou o ideal da pobreza como vocação e se transformou no grande São Francisco de Assis.
A trilha ajuda a chegar sem maiores dificuldades ao nosso destino. Não podemos esquecer da exortação do Apóstolo: “qualquer que seja o ponto a que chegamos, conservemos o rumo” (Fl 3,16).
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