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terça-feira, 12 de maio de 2026

O Espírito Santo, nosso Advogado

"Quando vier o Defensor que eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim" (Jo 15,26)

Muitas vezes nos vemos em uma situação de aflição e apelamos para quem possa nos socorrer, defender nossa causa. Em algumas ocasiões o tempo que temos é pouco e precisamos agir urgentemente. Em certos casos precisamos de um advogado. No Evangelho de João, Jesus diz que enviará o Paráclito (advogado) que vem para nos defender. Ele continuará a obra redentora do Filho e com seus “gemidos inefáveis” clamará continuamente por nós. Como Ele sabe que o Demônio tem “pouco tempo” e quer perder as almas, desempenha esse papel nos defendendo contra suas investidas.

Existe uma luta contínua contra “o mundo das trevas, contra os espíritos do mal que habitam as regiões celestes” (Ef. 6,12). É uma luta em primeiro lugar espiritual e não material, não começa na esfera visível mas na invisível, onde agem forças para condenar. Nem sempre nos damos conta dessa luta, por isso mesmo, não nos preparamos adequadamente para ela. Se não sabemos o que enfrentamos, somos vencidos facilmente. 

Por isso o Espírito Santo vem em nosso socorro, Ele que é “o Espírito da verdade” (Jo 14,17) vem para “desmascarar o mundo” (Jo 16,8). E isso é muito importante pois devemos abrir nossos olhos para reconhecer o pecado. Quando isso acontece, é o começo do fim porque esse mesmo Espírito cria em nós um “coração contrito e humilhado” que conduz a um verdadeiro arrependimento. Com o arrependimento, o reino do pecado vai desmoronando em nossa vida e um novo Reino passa a ser erguido, de “paz, justiça e alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17). 

Na luta contra o mal, devemos ficar atentos porque estamos lidando contra o acusador. E o que ele faz? Acusa! Em primeiro lugar nos acusa de pecadores, quer nos fazer crer que não somos merecedores da salvação. Se dermos ouvidos a essas suas acusações, vamos nos afastar, ir para longe de Deus. Passamos a questionar o perdão, achando que não somos dignos. Mesmo como filhos, herdeiros do Reino, passamos a agir como se não tivéssemos direito algum. O “Espírito da verdade” desmascara os planos diabólicos para que vivamos como verdadeiros filhos de Deus.

Podemos nos tornar “funcionários do acusador” quando nos apressamos em condenar nossos semelhantes, julgamos sem misericórdia, agimos para destruir espalhando “verdades” ou “mentiras” para prejudicar o outro. Não me importo nem um pouco com o mal que isso possa causar, simplesmente lanço palavras com o peso do inferno para que o fogo da acusação cresça ainda mais. O nosso Advogado, o Paráclito vem para nós defender contra todas essas acusações e estabelecer novamente a paz. 

No mundo de tantas acusações, precisamos do Advogado, o Espírito Santo. “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Cf. Gl 5) e é essa condição que o Espírito Santo quer criar, para que sejamos livres do pecado. Uma vida sem grades é isso que o Advogado quer nos dar, por isso mesmo Ele defende nossa causa, não deixando que a condenação pese sobre nós. Jesus nos libertou da prisão do pecado, e o Espírito Santo trabalha para que reconheçamos definitivamente essa nossa situação. 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Vem Ruah com teu sopro!

Soprou sobre eles e disse-lhes: ‘Recebei o Espírito Santo’” (Jo 20,22)

Tem uma canção que diz assim: “o mar é Deus e o barco sou eu, e o vento forte, que me leva pra frente, é o amor de Deus”. Esse amor é o Espírito Santo! Ele é vento, é Ruah!

O mar assusta e encanta, atraí e afasta. Ele tem seus mistérios, esconde suas belezas, demonstra força através da sua profundidade. Podemos interpretar o mar como Deus, mas também como o mundo. 

O mundo causa medo. Somos um pequeno barco e existem tantos ventos que sopram nos agitando de um lado para outro. Nem sempre é a Ruah, o sopro do Espírito. Quando outros ventos sopram, podemos ser empurrados para longe do porto, do lugar seguro e corremos o risco de ficar à deriva. 

Todos nós buscamos certezas, algo para se apoiar. Quanto o vento do relativismo sopra, os portos seguros deixam de existir e tudo depende do momento, do sentimento e das opiniões. Não existe porto seguro, porque o chão das verdades não existe,  o que enfraquece a fé. Quem se deixa levar por esse vento não enxerga a vela içada com os dizeres de Jesus, “eu sou a verdade” (Cf. Jo 14,6). Em Cristo, descobrimos sua Palavra da verdade, o Evangelho que salva (Cf. Ef. 1,12-13). 

No vento do imediatismo queremos chegar logo, não prestamos atenção aos processos, e ficamos presos às facilidades. Navegamos sem nos atentar aos mapas, as coordenadas geográficas deixadas pelos antepassados (Cf. Hb 11) porque o que importa é o presente. Não damos valor aos processos, aos fios que ligam o presente, passado e futuro. Os ventos do imediatismo levam ao utilitarismo. Só tem valor o que for útil. Se deixarmos esse vento nos levar, esquecemos que “debaixo do céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa” (Cf. Ecle 3,1). Não são poucas as vezes, que o que mais importa, é saber esperar “porque felizes são todos que esperam Nele” (Cf. Is 30,18). 

Os navegantes sempre contam histórias do “canto das sereias”, que encantam os mais iludidos e os arrasta para o fundo dos oceanos. Hoje, o “canto das Sereias” ecoa pela força dos ventos das redes sociais. Muitas horas do dia têm sido dedicadas às redes e elas estão literalmente nos envolvendo e arrastando para o fundo dos oceanos das desilusões. Corremos em busca de aprovação, de estabelecer o mínimo de relação com “amigos virtuais”. Os ruídos são imensos criando uma enorme confusão onde o silêncio aparente dos aparelhos conectados dão lugar aos gritos ensurdecedores em busca de aceitação. Esses ruídos nos impedem de ouvir a Deus. Não foram poucas as vezes que quiseram “glorificar” Jesus, o reconhecendo como Messias e proclamando-o rei. E o que Ele fazia? Se recolhia em lugares desertos para orar (Lc 5,16-17). Devemos nos desconectar para ouvir a Ruah, o ruído do Espírito. 

Existem diversos ventos contrários que nos levam para longe de Deus, mas, apenas um vento, a da Ruah, o vento do Espírito nos conduz na direção certa, nos faz atravessar tempestades e chegar no porto, de mar tão profundo. Como pequeno barco na imensidão do mar, devemos deixar que o vento do Espírito nos leve para onde Deus quer. E como sabemos que estamos sendo agitados pelos ventos do Espírito? Pela estabilidade das velas. Apesar dos ventos agitarem de um lado para o outro o barco, forçando a mudanças de direção, ele sempre volta para a sua posição vertical. Os ventos do Espírito sempre nos levam para nossa posição vertical, ou seja, com os olhos para o alto. Esses ventos, agitam, mas não destroem nem viram  o barco. 

A Ruah não vem para nos fazer naufragar, mas sim nos levar por mares revoltosos a calmaria. Esses ventos sempre nos transmitem paz, alegria e principalmente, consolação: “Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das miseri­córdias, Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para que, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus, possamos consolar os que estão em qualquer angústia! Com efeito, à medida que em nós crescem os sofrimentos de Cristo, crescem também por Cristo as nossas consolações” (2 Cor 1,3-6).

Ore e clame ao Ruah para que o sopro do Espírito traga paz aos nossos corações! 


segunda-feira, 4 de maio de 2026

O Espírito Santo foi derramado em nossos corações

 “E a esperança não decepciona porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). 

Desde o princípio, Deus dialoga com seu povo e faz alianças. Essas alianças se dão através de promessas que se realizam em favor do povo. Com Noé, Deus salva seu povo fazendo com que os seus entrassem na arca (Cf. Gn 9). Logo após o dilúvio, o arco-íris aparece no céu como sinal da aliança. Um dos significado do arco-íris é a esperança, pois logo depois da tempestade vem a calmaria, e Deus nos lembra de sua fidelidade. “A aliança é fidelidade, é ser fiel. Fomos escolhidos, o Senhor fez-nos uma promessa, agora Ele pede-nos uma aliança. Uma aliança de fidelidade” (Papa Francisco).

Muitas outras alianças se estabeleceram, como a que Deus fez com Abraão, Moisés, Davi e os profetas. Não foram poucas às vezes em que essas alianças foram rompidas, mas Deus não abandonou o povo à própria sorte, e continuou a chamá-los a seguir o caminho com uma fidelidade renovada, sempre recordando: “Farei com eles uma aliança eterna e nunca deixarei de fazer-lhes o bem. Colocarei no coração deles o meu temor, para que não se afastem de mim. O meu prazer será fazer que eles sejam felizes” (Cf. Jr 32,40-41).

Mesmo no exílio quando o povo precisou reler com muita dor sua história, eles aprenderam que a única coisa que podiam fazer é esperar com confiança, porque quem crer em Deus não se ilude, “quero trazer à memória o que me pode dar esperança: as misericórdias do Senhor não se esgotam” (Cf. Lm 3,21-22).

Essa esperança já é ação de Deus no silêncio da história, pois quando parece que sua voz emudeceu, sem menos esperar, seu grito ecoa no meio das vicissitudes humanas chamando a todos para um tempo novo, “eis que estou fazendo uma coisa nova: ela está brotando agora, e vocês não percebem?” (Cf. Is 43,19). 

Na plenitude dos tempos (Cf. Gl 4,4) essa esperança ganha rosto. É o filho da Virgem de Sião, o “Emanuel” (Cf. Is 9), que anuncia o Reino de Deus e chama todos à conversão. Na ceia com seus discípulos, ele faz uma promessa a eles: “Eu não vos deixarei órfãos” (Jo 14,18). É o Espírito, o amor do Pai e do Filho que vem para gravar em cada um de nós, seus discípulos, “os mesmos sentimentos de Cristo” (Cf. Fl 2,5), Ele que é “nossa esperança” (Cf. 1 Tm 1,1).

É o Espírito Santo que derrama em nossos corações o amor de Deus. É esse amor que torna nossa esperança viva, na certeza “de céus novos e nova terra, onde habitará a justiça” (Cf. 2 Pe 3,13). É Ele quem renova as forças dos cansados, porque “até os jovens se fadigam e cansam, os moços também tropeçam e caem, mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como águias, correm e não se fadigam, podem andar e não se cansam” (Cf. Is 40,27-31).

“Deus é amor” (1 Jo 4,8). E o que o Espírito Santo faz? Derrama amor! Jesus nos deixou o seu novo mandamento, “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13,34). E o que o Espírito Santo faz? Derrama amor de Deus em nossos corações! Por isso que nossa esperança não decepciona, porque ela não é uma ideia, um conceito ou sentimento, ela é uma pessoa, é o próprio Deus, que age em nós e através de nós para que o amor se derrame até transbordar renovando a face da terra (Cf. Sl 103).

Clamemos ao Espírito Santo, “Vinde Espírito Santo e renova a face da terra”.