Páginahttps://www.vaticannews.va/pt.htmls

segunda-feira, 4 de maio de 2026

O Espírito Santo foi derramado em nossos corações

 “E a esperança não decepciona porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). 

Desde o princípio, Deus dialoga com seu povo e faz alianças. Essas alianças se dão através de promessas que se realizam em favor do povo. Com Noé, Deus salva seu povo fazendo com que os seus entrassem na arca (Cf. Gn 9). Logo após o dilúvio, o arco-íris aparece no céu como sinal da aliança. Um dos significado do arco-íris é a esperança, pois logo depois da tempestade vem a calmaria, e Deus nos lembra de sua fidelidade. “A aliança é fidelidade, é ser fiel. Fomos escolhidos, o Senhor fez-nos uma promessa, agora Ele pede-nos uma aliança. Uma aliança de fidelidade” (Papa Francisco).

Muitas outras alianças se estabeleceram, como a que Deus fez com Abraão, Moisés, Davi e os profetas. Não foram poucas às vezes em que essas alianças foram rompidas, mas Deus não abandonou o povo à própria sorte, e continuou a chamá-los a seguir o caminho com uma fidelidade renovada, sempre recordando: “Farei com eles uma aliança eterna e nunca deixarei de fazer-lhes o bem. Colocarei no coração deles o meu temor, para que não se afastem de mim. O meu prazer será fazer que eles sejam felizes” (Cf. Jr 32,40-41).

Mesmo no exílio quando o povo precisou reler com muita dor sua história, eles aprenderam que a única coisa que podiam fazer é esperar com confiança, porque quem crer em Deus não se ilude, “quero trazer à memória o que me pode dar esperança: as misericórdias do Senhor não se esgotam” (Cf. Lm 3,21-22).

Essa esperança já é ação de Deus no silêncio da história, pois quando parece que sua voz emudeceu, sem menos esperar, seu grito ecoa no meio das vicissitudes humanas chamando a todos para um tempo novo, “eis que estou fazendo uma coisa nova: ela está brotando agora, e vocês não percebem?” (Cf. Is 43,19). 

Na plenitude dos tempos (Cf. Gl 4,4) essa esperança ganha rosto. É o filho da Virgem de Sião, o “Emanuel” (Cf. Is 9), que anuncia o Reino de Deus e chama todos à conversão. Na ceia com seus discípulos, ele faz uma promessa a eles: “Eu não vos deixarei órfãos” (Jo 14,18). É o Espírito, o amor do Pai e do Filho que vem para gravar em cada um de nós, seus discípulos, “os mesmos sentimentos de Cristo” (Cf. Fl 2,5), Ele que é “nossa esperança” (Cf. 1 Tm 1,1).

É o Espírito Santo que derrama em nossos corações o amor de Deus. É esse amor que torna nossa esperança viva, na certeza “de céus novos e nova terra, onde habitará a justiça” (Cf. 2 Pe 3,13). É Ele quem renova as forças dos cansados, porque “até os jovens se fadigam e cansam, os moços também tropeçam e caem, mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como águias, correm e não se fadigam, podem andar e não se cansam” (Cf. Is 40,27-31).

“Deus é amor” (1 Jo 4,8). E o que o Espírito Santo faz? Derrama amor! Jesus nos deixou o seu novo mandamento, “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13,34). E o que o Espírito Santo faz? Derrama amor de Deus em nossos corações! Por isso que nossa esperança não decepciona, porque ela não é uma ideia, um conceito ou sentimento, ela é uma pessoa, é o próprio Deus, que age em nós e através de nós para que o amor se derrame até transbordar renovando a face da terra (Cf. Sl 103).

Clamemos ao Espírito Santo, “Vinde Espírito Santo e renova a face da terra”.