“Soprou sobre eles e disse-lhes: ‘Recebei o Espírito Santo’” (Jo 20,22)
Tem uma canção que diz assim: “o mar é Deus e o barco sou eu, e o vento forte, que me leva pra frente, é o amor de Deus”. Esse amor é o Espírito Santo! Ele é vento, é Ruah!
O mar assusta e encanta, atraí e afasta. Ele tem seus mistérios, esconde suas belezas, demonstra força através da sua profundidade. Podemos interpretar o mar como Deus, mas também como o mundo.
O mundo causa medo. Somos um pequeno barco e existem tantos ventos que sopram nos agitando de um lado para outro. Nem sempre é a Ruah, o sopro do Espírito. Quando outros ventos sopram, podemos ser empurrados para longe do porto, do lugar seguro e corremos o risco de ficar à deriva.
Todos nós buscamos certezas, algo para se apoiar. Quanto o vento do relativismo sopra, os portos seguros deixam de existir e tudo depende do momento, do sentimento e das opiniões. Não existe porto seguro, porque o chão das verdades não existe, o que enfraquece a fé. Quem se deixa levar por esse vento não enxerga a vela içada com os dizeres de Jesus, “eu sou a verdade” (Cf. Jo 14,6). Em Cristo, descobrimos sua Palavra da verdade, o Evangelho que salva (Cf. Ef. 1,12-13).
No vento do imediatismo queremos chegar logo, não prestamos atenção aos processos, e ficamos presos às facilidades. Navegamos sem nos atentar aos mapas, as coordenadas geográficas deixadas pelos antepassados (Cf. Hb 11) porque o que importa é o presente. Não damos valor aos processos, aos fios que ligam o presente, passado e futuro. Os ventos do imediatismo levam ao utilitarismo. Só tem valor o que for útil. Se deixarmos esse vento nos levar, esquecemos que “debaixo do céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa” (Cf. Ecle 3,1). Não são poucas as vezes, que o que mais importa, é saber esperar “porque felizes são todos que esperam Nele” (Cf. Is 30,18).
Os navegantes sempre contam histórias do “canto das sereias”, que encantam os mais iludidos e os arrasta para o fundo dos oceanos. Hoje, o “canto das Sereias” ecoa pela força dos ventos das redes sociais. Muitas horas do dia têm sido dedicadas às redes e elas estão literalmente nos envolvendo e arrastando para o fundo dos oceanos das desilusões. Corremos em busca de aprovação, de estabelecer o mínimo de relação com “amigos virtuais”. Os ruídos são imensos criando uma enorme confusão onde o silêncio aparente dos aparelhos conectados dão lugar aos gritos ensurdecedores em busca de aceitação. Esses ruídos nos impedem de ouvir a Deus. Não foram poucas as vezes que quiseram “glorificar” Jesus, o reconhecendo como Messias e proclamando-o rei. E o que Ele fazia? Se recolhia em lugares desertos para orar (Lc 5,16-17). Devemos nos desconectar para ouvir a Ruah, o ruído do Espírito.
Existem diversos ventos contrários que nos levam para longe de Deus, mas, apenas um vento, a da Ruah, o vento do Espírito nos conduz na direção certa, nos faz atravessar tempestades e chegar no porto, de mar tão profundo. Como pequeno barco na imensidão do mar, devemos deixar que o vento do Espírito nos leve para onde Deus quer. E como sabemos que estamos sendo agitados pelos ventos do Espírito? Pela estabilidade das velas. Apesar dos ventos agitarem de um lado para o outro o barco, forçando a mudanças de direção, ele sempre volta para a sua posição vertical. Os ventos do Espírito sempre nos levam para nossa posição vertical, ou seja, com os olhos para o alto. Esses ventos, agitam, mas não destroem nem viram o barco.
A Ruah não vem para nos fazer naufragar, mas sim nos levar por mares revoltosos a calmaria. Esses ventos sempre nos transmitem paz, alegria e principalmente, consolação: “Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias, Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para que, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus, possamos consolar os que estão em qualquer angústia! Com efeito, à medida que em nós crescem os sofrimentos de Cristo, crescem também por Cristo as nossas consolações” (2 Cor 1,3-6).
Ore e clame ao Ruah para que o sopro do Espírito traga paz aos nossos corações!