“No último dia, que é o principal dia de festa, estava Jesus de pé e clamava: “Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: ‘Do seu interior manarão rios de água viva’” (Jo 7,37-38).
Essa festa da qual fala o autor sagrado é Sucot, a Festa dos Tabernáculos, também conhecida como festa das Cabanas ou das Colheitas. Essa festa junto com o Pessach e Shavuot, (Lv 23,33-43, Nm 29,12-38 e Dt 16,13-15) eram as principais celebrações que reuniam milhares de peregrinos em Jerusalém. Elas contavam através da sua liturgia a história de Israel.
Inicialmente essa festa tinha um caráter agrícola e depois passou a ser um memorial pois contava um período do êxodo em que o povo vivia em tendas. No período do Segundo Templo, a festa adquiriu uma dimensão escatológica como podemos observar em Zacarias onde o profeta fala de “uma romaria de todos os povos” para Jerusalém durante a Festa dos Tabernáculos para “adorar o REI” (Cf. Zc 14,16).
Entre as muitas tradições da Festa dos Tabernáculos podemos falar do derramamento da água. O sumo sacerdote retirava água da piscina de Siloé e a derramava sobre o altar. Esse gesto era realizado durante todos os dias da festa. No último dia, Jesus grita: “Se alguém tiver sede, venha a mim e beba”. Já bem antes, o povo ouvia os profetas falarem dessa água que nos tempos messiânicos faria até mesmo o deserto se transformar em um jardim cheio de flores e frutas. Por exemplo, o profeta Isaías diz que todos poderiam “beber nas fontes da salvação” (Cf; Is 12,3). Já o Salmista canta a história do Êxodo, quando o próprio Deus “fendeu as rochas do deserto, e deu-lhe de beber com grande manancial” (Sl 78,13). Ainda encontramos o profeta Ezequiel descrevendo uma água viva que jorra do lado do templo (Ez 47) e faz a vida crescer por onde passa. É do lado aberto de Jesus na cruz que jorra essa água da qual todos nós devemos beber e que é fonte da salvação. Olhamos para cruz e tomamos emprestado mais uma vez a oração que expressa um profundo desejo do Salmista, “minha alma tem sede de Deus” (Sl 42,3). Jesus é a água que sacia nossa sede e Ele mesmo diz, “venham a mim”.
Se vamos até o Cristo do nosso interior “ manarão rios de água viva”. Tanto o profeta Ezequiel como Joel, descrevem essa imagem da água como fonte da vida. Isaías diz que “jorarrão águas no deserto e rios na terra seca (...) o chão seco se encherá de fontes” (Is 35,6). Jesus diz que o Espírito Santo é essa água viva. Então é ele que jorra como um rio que cruza o deserto do nosso coração para fazer crescer um jardim onde frutos de conversão possam ser colhidos. A terra do nosso coração costuma ser árida, inóspita e mal cuidada. Se nos abrimos ao Espírito Santo, flores e frutos poderão nascer e a seu tempo a vida vai desabrochar.
Quando flores e frutos começam a aparecer eles embelezam a paisagem. Essa água que jorra como um rio quer mudar a paisagem do lugar em que vivemos para que “a justiça e a paz se abracem” (Cf. Sl 85), “nenhuma nação se arme mais contra a outra” (Cf. Is 2), o pão seja partido e repartido ( Cf. Mt 14,13-21; Jo 6) e o “amor, alegria, paciência, bondade, fé e temperança” (Cf. Gl, 5,22) seja nosso alimento diário.
Um comentário:
Muito bom. Deus faça frutificar.
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