Naquela mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: “Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado" (Lc 10,21).
O Espírito Santo é mestre do louvor. No Antigo Testamento os Salmos são uma expressão desse movimento interior que faz a alma se elevar até o Criador. Como criaturas, reconhecemos que todas as obras criadas são uma expressão da bondade do Criador. “São numerosas as obras de Javé! todas ele fez com sabedoria” (Cf. Sl 104,24). Por isso, com elas aprendemos que o Criador dispôs de tudo para o nosso bem e através delas podemos viver com dignidade. Cremos que “o céu manifesta a glória de Deus e o firmamento proclama a obra de suas mãos" (Sl 19,2), e a contemplação de tudo o que existe nos enche de alegria e nos leva a cantar os louvores do Senhor, “alegre-se com seu Criador” (Cf. Sl 150,2).
São Francisco em sua espiritualidade ecológica, compôs um cântico que pode ser lido junto com o poema da criação que encontramos no livro do Gênesis (Cap. 1 e 2) que reconhece que tudo é “bom”. Os louvores das criaturas, que faz São Francisco começa chamando o Pai de “Altíssimo, omnipotente e bom Senhor” e chama todos a prestar a Ele o “louvor, a glória, a honra e toda benção”. A relação cósmica do Poverello com o Criador o faz saudar as obras criadas como Fratello, “irmão”, e o que nasce dessa experiência é a ação de graças.
O salmista quando contempla “o céu, a obra de seus dedos” (Sl 8,4) atesta a dignidade do ser humano coroado pelo próprio Criador “de glória e esplendor”. Entre as criaturas dotadas de razão, Jesus louva os “pequeninos” e não os “sábios e inteligentes”. Exultando no Espírito Santo, Jesus louva pelos pequeninos. Então, se você quer ser cheio do Espírito Santo, deve olhar para os pequeninos e aprender o louvor que nasce dessa contemplação.
Nas andanças de Jesus, ele percebeu que os “sabidos” do seu tempo, não conseguiam compreender seu projeto. Muitos até mesmo se opuseram. Já os marginalizados iam ao seu encontro. Nos Evangelhos podemos facilmente ver Jesus sendo seguido por cidadãos que eram impedidos de participar da vida comunitária pela força da lei que os excluía. Os pequeninos são aqueles que se abrem ao projeto de Jesus, o seguem, testemunham sua palavra. São mulheres que o seguiam (Cf. Lc 8,3), leprosos, surdos e cegos curados que proclamavam suas “maravilhas”. Viúvas e crianças que são enxergadas, prostitutas e publicanos que vão preceder os “sabidos” no Reino de Deus (Cf. Mt 21, 31-32).
O louvor que nasce da contemplação dos “pequeninos” é um reconhecimento daqueles que confiam em Deus e se entregam completamente ao seu projeto de salvação. Humildemente, transformam sua pobreza em riqueza e passam a falar uma nova língua, a da “cruz” (Cf. 1 Cor 1, 17ss) e a andar com roupas novas “por que ele me vestiu de salvação, cobriu-me com o manto da justiça” (Cf. Is 61,10) e exalar “o bom perfume de Cristo” (Cf. 2 Cor 2,15).
É o Espírito que nos leva à contemplação do Criador e das criaturas, “para o louvor da sua glória” (Ef 1,6) e a transformação do mundo em que vivemos. Isso vai acontecer através da adesão ao projeto de Jesus que nos coloca entre os “pequeninos” e do louvor que nasce dessa escolha. O louvor inverte a lógica do mundo adoecido pelo egoísmo e renova a esperança de novos tempos marcado pela “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Cf. Rm 14,7).
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