Paulo como qualquer criança de sua época frequentou a sinagoga, lugar central do judaísmo que era local de oração, encontro da comunidade, administração comunitária e escola. Obrigatoriamente as crianças frequentavam a escola na sinagoga e ali aprendiam a Lei que era repetida para que fosse “inculcada e gravada no coração” (Cf. Dt 6,6-7). A pedagogia do século I d. C compreendia três etapas que ia da iniciação onde se memorizava trechos da Torá, depois passava pelo aprofundamento da lei, ética, costumes e história do judaísmo, e, por fim, discussão e interpretação dos ensinamentos da tradição judaica.
Na primeira infância se aprendia a ler e escrever e principalmente a memorizar trechos da Torá. Atráves da repetição as crianças iam aprendendo desde a cedo a “ser um bom judeu” que consistia de certa forma em observar os preceitos da Lei. Em seguida, de forma dialógica, se ia aprendendo a interpretar os textos. Não são pouca ás vezes que o Apóstolo demonstra ter sido bem instruído nessas lições. Ora ele menciona textualmente textos do Antigo Testamento, ora ele interpreta os textos à luz da experiência do mistério Pascal de Cristo. Por exemplo, em Gl 3,8 ele cita Gn 12,3 e 18,18: “Em ti serão benditas todas as nações”. Já em Rm 4,3 e Gl 3,6 vemos ele aludir à fé de Abraão: “Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado como justiça” (Gn 15,6). Em 1 Cor 10,7 Paulo menciona Ex 32,6 para falar da idolatria de Israel. Em Rm 13,9 e Gl 5,14 ele repete Lv 19,18: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
O ainda Saulo foi levado de Tarso para Jerusalém para estudar com Gamaliel e assim aprofundar o conhecimento das tradições judaicas. A transmissão do conhecimento consistia em vivênciar sua fé através da oração, shabat, celebração de festas e rituais, e leituras da Torá, Talmud e tradições rabínicas. O jovem Saulo se preparou aos pés do sábio Gamaliel alcançando um grande status como ele mesmo descreve: “Quanto à Lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto a justiça legal, declaradamente irrepreensível” (Fl 3,6). Na mesma carta, o apóstolo diz que um novo conhecimento, o de Cristo Jesus, se tornou bem supremo, o que fez ele passar de Saulo para Paulo, graças ao encontro com o Cristo ressuscitado (Ler At 9; 22; 26)
Nos passos de Paulo, devemos aprender o valor do conhecimento. De acordo com as Escrituras o conhecimento não é mero esforço intelectual e sim vivência. É saborear, degustar o saber, mais sentir do que medir, interiorizar do que divagar. E não estamos falando de qualquer conhecimento,e sim do conhecimento de Deus que pode ser adquirido por meio das obras criadas, mas principalmente por meio da revelação onde o “autor da vida”, se dar a conhecer para sermos capazes de lhes responder do jeito que Ele mais gosta, através do amor.
Esse conhecimento é adquirido por meio da prática da oração. É Paulo mesmo quem diz, “orai sem cessar”, caminho esse que transforma, que muda o rumo, cria uma nova rota na direção do encontro com o Ressuscitado que aparece no caminho da vida. Os santos, através de sua ciência, nos apontam também a importância da leitura. Por exemplo, Santa Teresa de Lisieux, Santo Inácio e São Francisco Xavier liam a Imitação de Cristo. Existem inúmeros livros que podem lhe ajudar a alcançar o conhecimento de Deus, mas um que não pode deixar de ser lido é a Bíblia, porque como diz São Jerônimo, “Quando rezamos, falamos com Deus, quando lemos a Bíblia, é Deus que nos fala”. Não podemos nos cansar de ouvir sua voz!
Nos passos de Paulo vamos descobrindo que é importante repetir, repetir e repetir. Isso significa exercitar. Por isso, se deve criar uma rotina, ter um roteiro, desenvolver uma disciplina para crescer no conhecimento do Senhor. O profeta Oséias já alertava sobre o perigo da falta de conhecimento (Cf. Os 4,6). Sendo assim, devemos nos esforçar para alcançar o “supremo conhecimento”, condição para uma vida feliz. Como já dito, não é o saber para ser “doutor” mas sim para adquirir a sabedoria do bem viver, que os santos tão bem souberam aprender. Término inclusive dizendo, que a ciência dos santos é receita certa para o verdadeiro conhecimento, aquele que nos leva a alçancar a 'medida de Cristo" (Ef 4,13-15). Com certeza, olhando para a vida deste homens e mulheres, podemos exclamar como Paulo:
“Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos! Quem pode compreender o pensamento do Senhor? Quem jamais foi o seu conselheiro? Quem lhe deu primeiro, para que lhe seja retribuído? Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória por toda a eternidade! Amém” (Rm 11,33-36).
2 comentários:
Aprender com são Paulo e enriquecer do saber.....
Que riqueza é a sabedoria!
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