“Estando ele a orar, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele” (Lc 3, 21-22).
O batismo de João é um batismo de arrependimento, que preparava o povo para a chegada do Reino de Deus. Ele exortava o povo a uma mudança de vida. Isso é Metanóia. Essa é uma palavra de origem grega que significa arrependimento, conversão, mudança de direção. É um itinerário, um caminho de quem se “acomoda” a uma nova forma de viver. O que João propõe é uma mudança radical de valores ajustada à escolha que fazemos pelo Reino. Opiniões, crenças, comportamentos, pensamentos e atitudes são conformados pelo projeto do Reino, anunciado por João e levado à plenitude em Cristo Jesus, Nosso Senhor. Metanóia é um caminho de confrontos inevitáveis entre o que sou e o que devo me tornar. Por isso a necessidade de arrependimento.
Alguém pode se perguntar: porque devo me arrepender? Porque reconheço que sou pecador, necessitado da misericórdia divina, percebo quando olho para mim, que erro, me desvio, saio da rota e tenho que voltar atrás, para depois seguir em frente. É o Espírito Santo que me conduz nessa hora a um verdadeiro arrependimento porque é Ele que nos convence sobre o pecado (Cf. Jo 16, 12).
O pecado é uma ofensa. Deus revela todo o seu amor em Jesus, seu Filho, mas nós o abandonamos, nos deixamos ser escravizados pelo mal, valorizando falsamente as coisas deste mundo, iludidos pelo prazer efêmero que não sacia nossa sede de amor e plenitude. O Catecismo diz que “o pecado é uma falta contra a razão, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro, para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens” (CIC 1849).
Quando pecamos nos afastamos de Deus, do seu amor, ofendemos, machucamos e pervertemos a ordem estabelecida pelo Criador. Não enxergamos, ficamos cegos e surdos, decaídos pelos males cometidos. Estamos vivos, mas nossa alma está morta. Essa condição de mortandade da alma é um perigo, pois põe em risco a nossa salvação. É o arrependimento que nos devolve a condição de “agraciados”, de união íntima com Deus, nos aproxima novamente da graça santificante e devolve a vida que tínhamos perdido.
Na dimensão sacramental, isso acontece através do Sacramento do Batismo, também chamado de “banho da renovação no Espírito Santo” (Cf. CIC 1215). Batizar significa «mergulhar», «imergir». A «imersão» na água simboliza a sepultura do catecúmeno na morte de Cristo, de onde sai pela ressurreição com Ele como «nova criatura» (2 Cor 5, 17; Gl 6, 15).
Uma vez batizados recebemos uma graça santificante que passa a atuar constantemente em nós. Nosso grande desafio é justamente permanecer nessa graça e isso é possível por meio do arrependimento. Nada deve ser mais importante do que permanecer nessa condição de “agraciados”. Sendo assim, o Espírito Santo age para nos lembrar da nossa condição de pecadores e fazer com que examinemos nossa vida à luz do mistério salvífico de Cristo. Sempre em nossos lábios deve ressoar a oração “vinde Espírito Santo” para que ele realize essa obra de transformação.
Proponho uma imagem para ilustrar o que quero dizer. Todos os dias tomamos banho. Mas, tem alguns momentos que o banho é mais especial. Por exemplo, quando a mãe dá o primeiro banho no seu bebe ou quando o jovem toma banho para se encontrar pela primeira vez com sua “paquera”. Esse banho é caprichado! Imagina o banho do homem e da mulher no dia do casamento?! Pois bem, alguns banhos são mais especiais que outros. Digo isso para você entender que o banho recebido no Batismo é diferente. Confere uma graça santificante além de nos associar por toda a vida ao mistério de Cristo. Porém, precisamos tomar banho todos os dias, não é verdade? Esse banho diário simboliza a necessidade diária de ser banhado pelo Espírito Santo para renovação, limpeza e purificação da alma.
Então se apresse e tome hoje o banho do Espírito. Diga que toda convicção: “Vinde Espírito Santo”.
Um comentário:
Amém!
Vinde Espirito criador...
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