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domingo, 3 de novembro de 2024

Entre substantivos e verbos

  Aprendemos na escola que o substantivo é a classe gramatical que indica pessoas, lugares, objetos e sentimentos. O verbo uma ação. Por exemplo: “Jesus te ama”. Qual o substantivo? Jesus. E o verbo? Ter. Qual a relação dessas classes gramaticais com o boa nova de Jesus? No próprio significado do nome “Jesus” já descobrimos a resposta. “Deus salva”. Isso demonstra uma ação. E qual? A salvação de todo gênero humano. 

      O profeta Isaías diz que nosso nome esta gravado na palma da mão de Deus. O nome é substantivo. O meu e o seu nome é do conhecimento de Deus, ele sabe quem somos. Conhecer é verbo. Somos obra das mãos de Deus, o Criador, que conhece suas criaturas e quer se revelar a nós. São Francisco compreendeu tão bem isso que vivia cantando por aí, “o amor não é amado” para chamar a atenção dos seus ouvintes que assim como Deus nos conhece, nós devemos querer conhecê-lo porque ele se deixa conhecer. 

         Deus é amor e é nisso que consiste o conhecimento de Deus. “De tal modo Deus amou o mundo que enviou seu Filho”. Pedro e João, André e Tiago, todos os apóstolos, santos e mártires, apreenderam que nossa vocação é o amor, como muitos anos depois diria Santa Terezinha. Ontem, hoje e amanhã, essa vai ser sempre a mesma lição transmitida de diversos modos e maneiras para alcançarmos a verdadeira felicidade. 

    Você acredita que Jesus, o Filho amado, o enviado do Pai, quer a nossa felicidade? Sim, é isso que ele quer! Felicidade é substantivo. Por isso mesmo ele nos apresenta seu projeto. Um certo dia ele conta uma história para ilustrar seu projeto de salvação. Na história ele usa diversos verbos como comer, beber, vestir, receber e visitar (Cf. 25,31ss). 

      Os que são chamados de benditos são aqueles que deram de comer aos que têm fome, de beber aos que têm sede. São os que vestem os nus, recebem os peregrinos e visitam os presos. Já os que são chamados de malditos são aqueles que fazem o contrário. A verdadeira felicidade vem dos verbos e não dos substantivos. É isso que Jesus ensina quando nos conta essa história. 

        Pessoas e lugares são substantivos, mas o que dá sentido são os verbos. São muitos os que têm fome e estão presos. Eles muitas vezes são só números. Mas, quando alguém enxerga um faminto e o alimenta, ou visita um encarcerado, passa a caminhar com Jesus e é chamado por ele de benditos.

   Essa história contada por Jesus inspirou aquilo que chamamos, obras de misericórdia. O Papa Francisco, marcado pela misericórdia divina, transformou um substantivo em verbo. Ele disse que precisamos se deixar misericordiar por Deus. Deixar-se misericordiar para misericordiar. Assim, pessoas e lugares alcançam a verdadeira felicidade.